Panfleto Azul

Voltando pelo Largo de São Francisco,
com um processador queimado no bolso
e a idéia gelada na cerveja,
uma mulher me entrega um panfleto
(sempre pegos os panfletos na rua:
são menos árvores,
porém mais empregos,
um dilema de consciência
que geralmente resolvo
lendo o que está escrito
antes de jogar fora).
Era um panfleto azul,
vendendo mulheres.
Por apenas R$ 10
o impresso prometia
"satisfação
sem decepção".
Naquele momento imaginei viver
só de putas,
pelo resto dos meus dias,
o apetite sexual saciado
e o coração,
"sem decepção".
Afinal, todo amor acaba
em decepção.
Todo amor que termina,
é claro.
Pois quando o amor
não termina
é porque acaba
ficando maior.


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